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ELEIÇÃO DA ESPERANÇA

Há mil anos atrás sábados pré-eleição eram longos.
Depois de tanta caminhada, comício, carreata, cultivávamos a esperança, com nossas bandeiras cansadas, com nossos bottons improvisados, camisetas pintadas. Naquele tempo havia pichação (que feio!, olhando de hoje) e as fazíamos, contra ditadura e ladrões (que bacana!, olhando de hoje), e havia companheiros sempre prestes a emprestar o braço ao esforço (que lindo!!, principalmente, olhando de hoje!).
E havia um porquê nesse árduo fazer. Até porque a eleição era apenas um degrau, um passo, um item da caminhada. Eleição não era destino, não era praça. Só um ponto da estrada. Mas tanta dedicação ocorria porque a eleição era um acender lampiões pra seguir caminhada, independente do resultado (que na maioria das vezes, sequer era vitória). Mas continuávamos cultivando esperança em canteiros outros que não os eleitorais. Triste, hoje, ver que aprisionaram a esperança no ventre das urnas, sem chama. Daí não crescer esperança mais nos caminhos, na beira dos rios, no ventre das colinas. Um animal enjaulado, a esperança dentro da urna, pra ser exibida a cada quatro anos, adoçando as bocas. Logo depois, retorna ao cárcere. E as pessoas seguem, olhando pro próprio umbigo, com seus negócios, suas contas pra pagar, individualismos adestrados, exatamente como o sistema deseja e necessita.
Antes a esperança morava no colo da gente, como um mico, pendurado em nosso pescoço, nos alegrando no dia a dia, fazendo da militância um contínuo. Bom, eu... continuo! Ainda que sob outras bandeiras, prossigo. A tentativa agora é desmascarar esse espetáculo triste, quase circense, e mostrar que a esperança quer comer alpiste na mão da gente, quer pousar suas asas de joaninha na unha da gente, quer roçar seu pelo entre nossos calcanhares, quer ir pro trabalho em nosso peito, em nossos braços... daí as pessoas olham e percebem... lá vem, aquele que porta a esperança! Lá vem de novo, "aquele que gosta de complicar"!
Eu sei que hoje em dia parece coisa de maluco, mas eu porto a esperança. Ainda que mais quieto, ressabiado, com meus calos e machucados, pois as pedradas vieram, eu porto a esperança. Às vezes, como uma arma, em ambientes sombrios de inércia. Mas sempre, como um mico-leão dourado revolvendo meu cabelo. Assim, esquisito fico, já que seguem tantos, quase todos, tão penteados, conformados com essa esperança a crédito, em parcelas a perder de vista. A perder de vida.
Eu levo a esperança. Ou, ela me leva, pastora fiel desta ovelha de Deus. Porque Deus é mais que esperança. Certeza.
Por isso, voto amanhã. Mas é apenas um ponto da caminhada. Segunda-feira, a marcha prossegue. Você que também leva uma esperança, entenderá. Porque elegemos a esperança todo dia.
*.*.*
Categoria: POLÍTICA E ATUALIDADES
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 18h41
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O EXERCÍCIO CÍVICO

Votar é um exercício, uma maratona física, mais que cívica. Se não servir pra nada, ao menos o povo se mexe, exercita a paciência na fila, os ouvidos nos sussurros (ou tantas vezes, gritos) dos boqueiros de urna (proibidos que sempre existem), adestra o olho na mira do teclado, rola aquela certa competição pra ver quem digita mais rápido, desdenha-se (um pouco) dos velhinhos lentos. Ah, fala sério, saudável, é, quase como um bingão de domingo numa igreja. Tem gente que vai com a família, leva os filhos. Tem os que se encontram só de eleição em eleição, daí o reparam o novo cabelo, a ruga mais funda... velhinhos descobrem que perderam amigos que votavam há 30 anos na mesma seção... É um evento e tanto. Eu ainda preferia os tempos do voto escrito, riscado, safado, onde às vezes dava até pra votar no mendigo da esquina ou no macaco Tião. Mas, modernidades, fazer o quê.
Agora, e o resultado disso tudo? Lamento dizer, mas é pífio, porque de pouco adianta o voto sem a militância. Vale quase zero o voto sem a cobrança, a fiscalização, a celeuma diária, o debate no sindicato, na associação. A ágora grega, nesses tempos bicudos de individualismo e cada um pra si, faz falta. Até existem organizações, uns restos de partidos, uns ralos sindicatos, cacos de solidariedade rara, aqui e ali.
Triste a discussão de votar em quem rouba menos, ou em quem rouba mas faz, ou votar no ladrão de hoje pra evitar o de ontem, ou de votar no que ainda não roubou porque não teve chance... Triste votar no aspirante a edil que é amigo ou parente e “precisa tanto...”. Pior ainda votar em fulano porque “ele é de briga”, “vai lutar pela gente”... como se a gente não pudesse, a gente mesmo, lutar... Como se neste país de pais da pátria e pais dos pobres precisássemos sempre de um guia iluminado e genial.
O neoliberalismo alcançou sua vitória. Separou política de economia. O injusto sistema ficou inquestionável. Pensamento único. A história acabou, decretou Fukuyama. E a política segue assim, essa coisa desossada, gelatinosa, esse invertebrado sem dentes. Escolhemos síndicos de prédio, gerentes de loja, a isso se reduziu o poder político, tantas vezes.
Mas domingo, multidões cumprirão o ritual, tangidas pela obrigação, mas também pela mídia, pelo anestésico discurso dominante, pelo status quo, que revela o voto como a “arma”, a “chance de fazer alguma coisa”, a “nossa única possibilidade de mudar as coisas”. Daí, votamos, quase que como num concurso de misses, e vamos pra casa, dever cumprido. Na segunda-feira já, decepções. E ficamos no aguardo da próxima eleição, a “nossa única chance”... Enquanto isso, as falcatruas retornam, bancos quebram levando poupanças, créditos sobem os juros enforcando os humildes, mensalões financiam cassinos na beira do Lago Sul de Brasília... e tudo continua como está. O mesmo filme, com outros atores.
Não é que descreio do voto. É melhor que votemos do que alguém escolher qualquer coisa por nós. Mas não gosto de bolo que é só cobertura, vai ver, tá oco! Não gosto de casa que tem só telhado, lhe faltam paredes. Claro que, sem jeito, come-se a cobertura e mora-se na casa só teto. Ao desabrigo e com fome, não ficaremos. Mas verdadeiramente alimentados e abrigados, não estaremos.
Por isso perdoem-me os que tanto se esforçaram, que até militaram (!) nesta eleição. Perdoem-me os que escolheram seus candidatos com tanta reflexão. Perdoem-me porque vocês podem achar que desdenho do esforço de vocês. Não. Os admiro. É bom em tempos de deserto ver quem tenta plantar uma folhinha. Vocês são esperanças. Mas se militaram, sabem que são exceção. Há apatia de cordeiros, rebanhos que vão às urnas.
Mas precisamos casar, de novo, política e economia (saber que o assunto é grana, e jeitos de a produzir, sempre foi e sempre será). E, acima de tudo, precisamos casar de novo, política e esperança, política e utopia. Política solteira, política só descarrego de tensões sociais periódicas, é coisa estéril, frutos não dá.
Vi uma senhora idosa, com uma estrela do PT, abanando uma bandeira. Lembrei de quando costurava minhas próprias bandeiras, pintava as camisetas e saíamos com elas ainda meio molhadas, em passeatas e comícios. Depois tirávamos a camisa e tava lá, pintada na pele, aquela estrela. Aquela senhora estava na chuva fina, sacudindo a bandeira, com aquela triste estrela opaca, porque precisava da parca grana que aquilo representava. Poderia estar em outras campanhas, com outros signos, triste, atravessando placas enormes nos sinais das ruas... Tarefeiros pagos para exibir candidatos a um povo descrente...
Você, que deu o azar de ler isso antes de ir votar, não desanime! Vá. Mas observe as pessoas. Os papos rasteiros. A conversa curta. O civismo ensaiado, depois, as mesmas matérias na TV, mostrando o velhinho-exemplo de 85 anos, que foi votar e não precisava, a urna que viajou de canoa pelo Rio Amazonas, o Presidente que foi votar na cidade natal, os índios que votaram na tribo, essas coisas edificantes e edificadas como peças publicitárias, daquela que já foi chamada de “maior democracia do mundo”...
Vote, amigo. Se fez boas escolhas e nelas depositou esperanças, vote confiante e ajude a reconstruir a esperança. Se vai apenas cumprir obrigação, experimente pensar o quanto o Brasil precisa, mais do que do seu voto, da sua atividade constante, mudando o mundo a partir de onde você está. No trabalho, na família, na comunidade. E na cobrança ao seu candidato. Aí, sim, o seu voto vai ser conseqüente. Bons dígitos a todos. E que não chova, né?
Mas vote. Ao menos, é um bom exercício.
*.*.*
Categoria: POLÍTICA E ATUALIDADES
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 21h30
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ACEITAÇÃO E PACIÊNCIA
Mensagem que mandei hoje pra uma amiga de muito longe.

Querida, lembro de você sempre meio foguete, fazendo as coisas correndinho, mas querendo da vida respostas rápidas. Só que a vida às vezes é devagar. E condição pra felicidade é a aceitação desse ritmo, dessas pedras que tantas vezes enforcam as águas no rio em barragens e fios de gotas.
Se não, como um perneta fica feliz, se só lamentar a perna perdida? Como um cego sobrevive lúcido, se só lamentar o o que o olho não mais enxerga? Lembro que você tinha mil conflitos internos e externos com a tua família, como se a lamentasse. Não faço julgamentos. Cada um sabe onde o calo aperta, onde doem as pisadas que nos deram.
Mas o que temos, é o que temos. O que somos, é o que somos. A partir daí, somente a partir daí, construímos. Se somos barro, façamos cerâmica! Se somos pedra, façamos castelos. Se somos ouro, façamos altares! Até diria, se somos minhocas (!!!), façamos húmus e fertilidade, ainda que ninguém nos perceba ou reconheça.
Você é um beija-flor, asas batendo rápido, querendo licores. Mas às vezes os açúcares de que carecemos não estão em jardins distantes. Às vezes a flor desejada está no nosso colo. Às vezes a flor desejada pode até ser ausência de flor. Afinal, uma folha que se derrama no húmus, prepara o terreno da flor. Tantas vezes temos a folha bendita e a recusamos, querendo somente a flor acabada. A aceitação é Senhora e a paciência é que é Sábia. Juntas, ambas domam os destinos.
Você aí, tão distante, na hora própria vai saber se o que te mando em mensagem é útil ou não. Deus me deu essas palavras, hoje. Espero que te sirvam. Ele não distribui letras à toa. Meu beijo sincero e votos de felicidades.
*.*.*
Categoria: EU E OS MEUS
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h43
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O MAU CHEIRO DO FED

O FED (Federal Reserve, o Banco Central americano) saiu, de pires na mão, mendigando grana ao mundo pra salvar o sistema financeiro da falência. Um Bush depressivo e deprimente (o "lame duck" típico, "pato manco" como por lá chamam os presidentes em fim de mandato), aparece na TV, implorando de joelhos, já pela 6ª vez. Fez as guerras que fez, tomou as decisões desastradas que tomou. Usou o nome de Deus em vão!!! já que fez a guerra em nome de "deus", com muita negócio cinzento por detrás daquilo tudo. Agora, implora, como um miserável sem dignidade. A arrogância sempre mostra seus fundilhos sujos. É questão de tempo.
O FED saiu mundo afora, de pires na mão. Até ao Brasil, cfe Henrique Meirelles, pediram um troquinho!!!! É mais ou menos assim. Sabe aquelas caixinhas que se fazem no trabalho, na escola, pra festinhas de fim de ano, formaturas, essas coisas? Pois, então. O cara da caixinha simplesmente - sem consultar ninguém - resolve ir num cassino e jogar com o nosso suado dinheiro!!! Tem sempre a desculpa 'bem intencionada' de que assim a grana renderia mais do que na poupança, de que a festa ficaria melhor, com mais grana... Daí a caixinha quebra toda, estourada na roleta impiedosa, a festa fica ameaçada e o cara vem pedir socorro... adivinhem pra quem??? Prá nós, amigo! E, o pior, a gente dá a grana! E, pior ainda!!! Sequer trocamos o "administrador" da caixinha!!!!!
Mas, o FED saiu de pires na mão... Sabe esses nomes que se autodeclaram, dizem a que vieram só de pronunciarem-se? Pois bem, FED é isso mesmo... algo que "fede" e muito!!! Tanto assim que o poderoso chairman do FED incluiu no pacote uma cláusula pela qual ele não poderia ser processado por eventuais deslizes, falcatruas ou má gestão do pacote!!! Ora, convenhamos!!! É muita prepotência.
Mas o pior disso tudo é que "cabeças rolarão"!! E não serão as deles! Famílias sofrerão. E não serão as deles! Sabe o que acontecerá com os mentores da sacanagem hipotecária? Sobreviverão e serão contratados como consultores, com altos salários, em Wall Street ou na City londrina! Foi assim na bolha estourada das "pontocom" da Nasdaq, há uns 08, 10 anos!
E, aprendamos! Quem é o maior investidor em publicidade na TV? O sistema financeiro! Quem é, portanto, um dos responsáveis pela má qualidade do que a TV serve aos lares de famílias desavisadas? Os bancos, oras! E banco, como já disse Robert Frost, é aquele que nos dá um guarda-chuva quando faz sol, mas o arranca de nossas mãos quando começa a trovejar! Brecht dizia que crime mesmo, de verdade, não era assaltar um banco, mas fundar um banco!
Por isso é que sempre achei sacrílega a exposição do nome de Deus tanto nas notas do dinheiro brasileiro ("Deus seja louvado") quanto nas do americano ("In God we trust"). É como se carimbássemos nossa fé num poste-ídolo de Baal... ou então, se disséssemos: "O dinheiro é meu pastor e nada me faltará... deitar-me faz em verdes dólares... guia-me mansamente às fortunas tranquilas... " Sacrilégio! Mau-caratismo! Não há fé possível em cassinos.
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Categoria: POLÍTICA E ATUALIDADES
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h56
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DESABAFO À BEIRA DA RUA DO MURO

O pacote do governo americano foi rejeitado. As bolsas despencam.
Na verdade, desvela-se o nada. Multidões morreram por conta desse capital inflado como um balão de gás podre. Uma bolha de sabão de mau gosto. O capitalismo conta suas quebras, suas dores e tenta salvar seus ossos. Vem uma onda de estatizações emergenciais. Criam-se marcos regulatórios novos. O mercado, descobriram, não é educado nem domesticado. O mercado é selvagem e se alimenta do coração de crianças de colo. Ah, nisso, descobriram o Estado!!! Rá! Correram pro Estado de pires na mão, os mesmos que o destruíram, os mesmos que o fizeram mínimo, aquele, no qual colocaram presidentes fantoches, de quem arrancaram as verbas e poderes para ajudar os desvalidos... agora ajudará – com as desculpas de praxe – os jogadores do cassino. Pagará suas contas. Foi assim na bolha da Internet, na Nasdaq, há poucos anos atrás.
Enquanto a farra em Wall Street acontecia, quantas Ruandas não desceram pela sarjeta? Quantas crianças não morreram em convulsões na Cracolândia? Quantas meninas de 12 anos pariram infelizes desnutridos? Quantos desempregados não mergulharam na embriaguez? Enquanto isso, a “mão invisível do mercado” de Adam Smith manejava punhais de prata assassina. Fazia guerras, invadia países, multiplicava vergonhosos negócios. Guerra S/A!! (como no filme recente, com John Cusak)
Reengenharias, informatização em larga escala, guerras de petróleo, vampirização das pequenas empresas, terceirização de mão de obra em ocupações precárias, a onda de camelôs despejada nas grandes cidades, a pirataria decorrente, os roubos de carga, as meninas prostituindo-se nas estradas para caminhoneiros. A falência da saúde pública, a privatização do ensino, as escolas tornando-se celeiros de pólvora transbordando perto de faíscas. Jovens ali, contidos, ávidos viciados em consumo e fugacidade... Foi o que lhes injetaram nas veias. O leite que tomaram já vinha com o vírus. Hoje, querem seu lugar no paraíso da feira livre mundial, onde você vale pelo que compra.
Não nos enganemos. O lucro é um animal voraz, nunca se satisfaz. Os engravatados de Manhatan brincam, não com cotações ou balanços financeiros, naquela Las Vegas, as fichas são vidas humanas. Decidem, num botão, quantas cabeças serão decepadas pra fazer o calçamento das suas escadas em direção ao infinito lucro. Decidem, na verdade, quantos países serão mantidos no porão do navio negreiro. Ah, um Castro Alves que nos cantasse uma esperança!!!
Mas escadas assim batem no teto. Castelos de areia assim, desmoronam. O problema é que desmoronam sobre os mesmos que foram pisados pelos que os construíam. Enquanto isso, o planeta se esvai, corroído em suas águas, em seu ar, em suas matas, viciado em fumos terríveis, dependente químico de petróleos, esburacando a própria carne pra arrancar seus minérios como quem arrancasse pedaços do próprio fígado, do pulmão, com as mãos. Um mundo de suicidas cegos. Caminhando para o abismo, não vemos estrelas, mas letreiros de shoppings e marcas nos iluminam o triste caminho. Perdemos a voz, a conversa ao pé do fogo, o almoço de domingo e os amigos. Temos encontros virtuais, prazeres rápidos, queremos ‘tudo ao mesmo tempo, agora’, não?
Depois, ficamos atordoados, vendo nossos filhos se matarem pelas ruas, nas esquinas, nas escolas. Deus passa a ser um animal doméstico, que chamamos do jeito que queremos, na hora em que queremos, como um periquito que nos atende à voz, como uma foca que equilibra bolas ao nosso comando. O sagrado não mais existe. Por isso, nada é sagrado. Nem a vida humana. Seja velha ou enferma, seja embrião, se não consome... vida não é. Sagrado é o que consome. O que vale dinheiro.
A publicidade pinta, enquanto isso, uma cortina lilás com frisos dourados e perfumes de jasmim... Ah como é belo o mundo da publicidade, essa prostituta velha, cafetina de valores! Essa, que vende venenos que nos matam, que entorpecem nossas crianças, que nos adestram desde o berço como consumidores. Essa, que nos carimba como peixes fisgados, como gado marcado, na roda sem fim da sociedade supérflua.
A festa acabou. Por enquanto. O capitalismo tem muitas pernas. Gato assassino de muitos fôlegos. O capitalismo morreu! Viva o capitalismo! Ele se reerguerá, com novos atores recitando os mesmos papéis, adequados ao novo cenário, com um ou dois gramas a mais de presença estatal e gerência financeira governamental. Como sempre, a ruína de uns fará a glória de outros. Recolherão o lixo e colocarão pra baixo do tapete. Até a próxima crise. Foi assim em 1929, em 1982, em 1988. E Wall Street, a “Rua do Muro” (Perdoem-me: Wikipédia: “Lá, os holandeses tinham construído uma parede da madeira e lama em 1652. A parede significou uma defesa de encontro ao ataque possível dos índios de Lenape, de colonizadores da Nova Inglaterra e dos Ingleses, mas no fato foi usada manter os escravos negros da colônia”), construída outrora para afastar índios incômodos, ali, onde batem os suspiros dos miseráveis, renascerá, ainda que em outro endereço, mouca como sempre, olímpica como sempre, pronta pra arregimentar uma nova geração de maldades.
O que fazer?
Recuperemos o sagrado. O valor das coisas gloriosas, porque simples. Pessoas que não sejam cartões de crédito, cujos corações não sejam calculadoras. Um Deus que não seja um periquito.
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Categoria: POLÍTICA E ATUALIDADES
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 19h50
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